segunda-feira, junho 26, 2006
sexta-feira, junho 23, 2006

Entre um sorriso e outro, eu te amei.
Quem de nós é capaz de precisar o momento exato em que se ama alguém?
Como podemos saber se foi entre um beijo ou outro que começou a amar, ou se foi durante uma ida ao supermercado?
Que sentimento é esse que nos invade sem que ao menos saibamos como e quando adentrou nosso peito, e que até, muitas vezes, mal sabemos se estamos realmente sentindo?
Neste aspecto toda a semelhança que existe entre amor e ódio, perdem totalmente o sentido, pois, acho que sei muito bem quando estou ou não odiando alguém. Consigo indicar com precisão o momento em que não gostei de algo ou alguém, sem hesitar (Acho que bondade não causa trauma). Mas, se alguém me perguntar em que momento eu comecei a gostar de alguém, não saberei responder.
Somos muito mais críticos para gostar de algo ou alguém, do que para não gostar. Algumas vezes não precisamos sequer falar com alguém para não gostar desse alguém. Basta um olhar e, pronto! Não gostamos.
Poderíamos gostar de muito mais coisas na vida... Muito mais pessoas. E mesmo sabendo disso, nada muda. Já parou pra pensar que podia descartar certas raivas, mágoas pelo simples fato delas não terem mais sentido? Poderia gostar de mais coisas? Tem realmente uma razão para odiar alguém?
Quanto ao amor, acho que não podemos saber com exatidão quando estamos gostando de alguém, justamente porque somos muito críticos, então, não basta um momento preciso, e sim, um conjunto deles.
Sendo assim, quando nos damos conta de que gostamos, já gostávamos antes, mas, faltavam algumas coisas para que pudéssemos juntar à outras e termos certeza que estamos, enfim, gostando de alguém.
Que confusão! Por que é tão difícil gostar e tão fácil não gostar? Medo de se machucar, talvez... Pensando sempre no pior.
Não sei. Mas, “acho que estou, gostando de alguém...”.

Inverno lembra amor?
Fala-se tão pouco do amor de inverno...
Ah... Aquele amor...
Deve ser porque é o que dói mais.
O amor de verão é muito comentado, pois, é quente, colorido, divertido, sorridente, nervoso e cheio de ação. O de inverno, ao contrário, é frio, pálido, triste, doloroso, sofredor ao extremo, por isso, ninguém o comenta, a não ser, em breves anotações como essa.
Ninguém quer tocar no assunto, mas o fato é que todos já tiveram um.
Quem não teve um amor de inverno não é tão feliz. Pode ser contraditório pensar que quem não viveu um amor triste, pálido e sofredor não é tão feliz, porém, tentarei me fazer compreendida pelas palavras que seguem.
O amor de inverno não é passageiro, pois, mesmo que o relacionamento só dure uma semana, ele passa por todas as estações e permanece no coração, não raro, para sempre. Ele nos faz sonhar com o que seria da nossa vida se tivesse dado certo e nos faz chorar ao lembrar que não deu. Aliás, o amor de inverno é um chorão, mas, dos amores, o mais forte.
E é um amor que sangra, pois é o que faz com que nossa vida se pareça com um drama mexicano ou tragédia grega.
Este é o amor que faz crescer e amadurecer. Ele nos faz virar adultos porque um amor de inverno jamais permitiria que uma criança o sentisse. Não importa quantos anos tenha, saiba que, quando viver este amor, não terá a mesma idade.
E mesmo com toda experiência que este duro amor nos dá, tenha certeza que, em algum outro inverno de sua vida, irá sentí-lo.
Lembrando que ninguém que viveu este amor quer viver novamente, mas não há forma de evitar que isso ocorra. Algumas pessoas, mesmo depois de tempos, se encontram o ser com quem compartilharam esse amor, sentem o coração bater mais forte e a respiração fica ofegante, logo vem à cabeça aquele maldito inverno.
Engraçado é que o amor de inverno, notamos mais tarde, jamais foi amor.
Por fim, teimo em dizer que quem não viveu este amor não é tão feliz, pois quem sobreviveu a esta dor tem muitos motivos para sorrir, e até mesmo rir, das dores que passou por nada. As piores dores são as do coração. E quem, já tendo sentido, pode dizer o contrário?
quinta-feira, junho 22, 2006

Sobre minha guerra.
Enquanto houver guerra, haverá amor e ódio em mim.
Amor por uma pátria,
Minha essência.
Ódio por um território,
Meu coração.
Minha essência às vezes se perde,
Em meio a tanta futilidade que me envolve.
O ódio se dissolve,
Diante do ato de bondade,
Que tenho comigo mesmo,
Ficando calado, às vezes.
Ficando feliz, às vezes, ouvindo ruídos, às vezes,
Um breve sopro, às vezes, um lindo dia, às vezes.
E sendo... às vezes.
A guerra que não me deixa ser feliz...
A guerra que não me deixa ser amado.
Sim, por mim mesmo, é verdade.
Guerra que me torna vazio, sensível, carente.
Guerra sem direção nem razão,
Apenas dá uma fria idéia do futuro que me espera.
E, de repente, eu penso o contrário.
Me vêm à cabeça que poderia ser feliz,
Ter uma vida bonita, como minha essência.
Poderia me dizer quem venceu essa guerra?
Como se vence uma guerra consigo mesmo?
De qualquer modo ganhou,
De qualquer modo perdeu.
Guerra que me revolta
E me acalma,
Equilibra-me.
Mesmo sendo
Num campo desequilibrado.
E quando a paz chegar,
Já não estarei aqui pra ver.
Estarei...
Descansando em paz.
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